O desafio das máquinas conectadas na era da indústria 4.0

Tendências para a manufatura foram debatidas na reunião plenária do Comtextil, da Fiesp, na sede da federação.

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Os rumos da indústria 4.0 estiveram no centro dos debates da reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário (Comtextil) da Fiesp, realizada na tarde desta terça-feira (20/06), na sede da federação. O encontro foi coordenado pelo diretor titular do Comtextil, Elias Miguel Haddad.

Da produção artesanal ao chão de fábrica, o assessor técnico do Senai-SP Clecios Vinicius Batista e Silva mostrou como o advento da tecnologia fez mudar tudo. Do conceito que pregava “eu posso entregar qualquer carro desde que seja preto” à noção atual de customização em massa, com o máximo de individualização dos produtos. Ideias envolvidas também no conceito de indústria 4.0, com a integração dos sistemas de produção pela internet.

“Assim, 4.0 é um conjunto de tecnologias que alinha as áreas de automação, controle e informática na produção em série, com a customização em massa sem a perda da competitividade dos preços”, explicou Silva.

Para tanto, conforme Silva, a chamada Internet das coisas (IOT) e o uso de sistemas cyber-físicos são essenciais.

Entre os exemplos práticos da indústria 4.0, a feira Fispal, a principal de alimentos do país, a ser realizada ainda em junho de 2017, terá uma ala inteira dedicada ao assunto.

O assunto é alvo permanente de estudos na unidade do Senai-SP dedicada à indústria têxtil, no Brás, na capital paulista. E lembrou que a nova unidade da rede em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, foi totalmente pensada para atender as demandas dos empresários nesse sentido.

“É possível fazer essas mudanças de forma escalonada, gradual”, disse Silva. “O grande desafio técnico não é comprar a máquina A ou B, mas fazer com que os dois equipamentos conversem”.

Como definiu Haddad, trata-se de “um futuro presente”.

Quatro megatendências

O debate a respeito do que está por vir continuou com a apresentação de quatro tendências para a indústria “que não podem ser ignoradas” pela diretora da consultoria Lectra, Adriana Papavero. A Lectra trabalha com o desenvolvimento de soluções e tecnologia para as empresas de vestuário, automotivas e de móveis, tendo sede na França e presença em 110 países.

A primeira dessas tendências envolve o peso dos chamados millennials para a economia. Está se falando aqui de todos os nascidos entre os anos 1980 e 2000, num total de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo ou 35% da população brasileira e 30% da chinesa. “Por que temos que prestar atenção aos millennials? Porque eles são a maior geração de trabalhadores da história”, explicou. “Em 15 anos, eles vão representar 75% da mão de obra no mercado de trabalho”.

De acordo com Adriana, trata-se de um grupo de consumidores conectados e impacientes, interessados mais no compartilhamento que na aquisição de bens em si.

Outro item valorizado por esse grupo é a customização: “40% são atraídos por produtos assim, querem se sentir únicos”. “As empresas precisam contar a história das marcas, investir no chamado ‘storytellling’”.

Segundo Adriana, mais importante do que o ter é a vivência, a experiência. “Nesse grupo, 75% preferem gastar dinheiro com uma experiência muito desejada do que com a compra de bens materiais”, disse.

A segunda tendência envolve a digitalização. E isso, de acordo com Adriana, passa por quatro pontos: o fator nuvem, guardar informações ali; a mobilidade dos smartphones; a internet das coisas, conectando pessoas com máquinas, e a inteligência artificial a unir todos os esses pontos, permitindo a economia de recursos e a autonomia dos sistemas.

A terceira tendência é a quarta revolução industrial, justamente a indústria 4.0.

A quarta? O fator China, as mudanças pelas quais passa o país da Grande Muralha, principalmente no que se refere ao consumo interno. “As marcas precisam mudar a sua relação com os clientes, os chineses são fieis às marcas”, disse.

Conforme a diretora da Lectra, o e-commerce é forte entre os chineses, representando 51% das vendas do comércio local. “Isso tem impactos no mundo todo”.

 

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